O espermatozóide não serve apenas para engravidar.
Se há um lugar onde nenhum assunto é censurado é no salão de beleza. No último final de semana, 15 de Junho, estava eu a tratar do cabelo num salão de beleza em Luanda-Angola, quando entra no salão uma jovem de aparentemente 33 anos, para mim que não a conhecia a jovem parecia estar com uma aparência normal, mas para a dona do salão bem como outras senhoras que a conheciam, diziam que ela estava muito linda “Uau, tu estás muito linda”, disse uma senhora. “ Casar faz bem, né, estás gordinha”, disse outra. Mas a conversa ganhou corpo, quando uma outra senhora que aparenta ter uns 50 anos, disse “ É o esperma, o espermatozóide tem dessas coisas, faz bem, até estás a brilhar”, pusemos-nos todas a rir.
E porque achamos o assunto interessante, cada uma começou a falar sobre o que já ouviu falar dos benefícios do espermatozóide. Mas a mim chamou muita atenção o que dizia a tia, que por sinal era a mais velha no meio. E imediatamente procurei saber o seu nome, “chamo-me Filomena filha”, disse.
Eu: Como é que a tia sabe tanto sobre
os benefícios do esperma?
Ela: É filha, deixa só (risos). Desde a muito tempo, quando conheci o meu marido, se eu estivesse no período fértil eu dizia para o meu marido “gozar” fora, e então ele punha na minha cara e eu esfregava, mas fazia só por brincadeira, para nós (ela e o marido) rirmos. Só que com o tempo percebi que quando eu ia lavar a cara depois de esfregar o esperma, o meu rosto ficava mais macio então parei de desperdiçar o esperma do meu marido.
Mais uma vez rimo todas e aproveitei o
momento para uma pequena entrevista.
Eu: Mas assim a tia Filomena faz isso
até hoje?
Ela: Normalmente querida. Olha bem
para mim, eu tenho 62 anos, agora diz se não pareço ter menos?
Sessenta e dois! Exclamamos. “Sim
senhora, não parece mesmo”, disse eu.
“O esperma tem muitas proteínas, se
até ajuda a pessoa a dormir melhor. Prestem só atenção a partir de agora, se não
vai haver diferença quando os vossos parceiros gozarem fora e quando gozarem dentro.
Quando goza dentro, a mulher fica bem mais disposta, no dia seguinte acorda com
mais ânimo e vontade de fazer os trabalhos domésticos (risos) ”, disse.
E acrescentou, “toda a mulher que faz um bom sexo de noite, se o marido deixar o esperma mesmo lá dentro, ela acorda com bom humor e com a pele a brilhar, até as pessoas mais experientes como eu (risos), conseguem perceber que a mana foi bem tratada durante a noite. Também podem engolir faz muito bem para a mulher e o homem fica mais apaixonado por mulheres que têm essa coragem”, concluiu a simpática tia.
Face a toda essa conversa dei uma olhada rápida ao Google para ver o que se diz sobre o assunto. E não é que é verdade tudo o que a tia Filomena disse. Listo a seguir alguns dos vários benefícios do sémen, vulgo espermatozóide.
O Sémen é antidepressivo
Ajuda a dormir melhor
Deixa a pele macia
Baixa a pressão arterial em gravidas
É nutritivo
O esperma tem pelo menos três vitaminas- B12, C e E. Os minerais essenciais encontrados são magnésio, cálcio, zinco, potássio e fósforo. Existem dois edulcorantes, sorbitol e frutose. Traços de sódio e colesterol são encontrados e o teor de proteínas é muito alto no esperma. Estranhamente, todos estes combinam para fazer do esperma um excelente suplemento nutricional. Dai que o esperma é considerado um remédio natural benéfico que trabalha para retardar o envelhecimento.
Nada nos faz perder mais energia que a indecisão e o
desconhecimento de nossas prioridades. Pessoas aprisionadas nestas
circunstâncias fazem foco no trabalho, quando o momento é de prioridade
familiar. Querem viajar com a família quando o momento é de priorizar os
negócios. São pessoas que estão sempre ausentes de onde deveriam estar. Estas
pessoas não estão em casa nem quando voltam para casa e quando estão no
trabalho preocupam-se em não estar em casa, estranho isso, né (risos), mas é a realidade
de muitos.
Mude suas prioridades e você mudará sua vida como um
todo!
Qualidade de vida significa harmonia e bem-estar nos aspectos mentais, físicos e espirituais que envolvem nossa vida em todas as esferas (afectiva, profissional etc).
Cada área de nossas vidas precisa possuir metas e prioridades bem definidas. O que mais afecta a qualidade de vida das pessoas é a perda de energia que se reflecte em perda de entusiasmo, motivação, prazer, produtividade.
Sempre que você notar que o nível de
sua qualidade de vida caiu, pergunte-se: “Quais são as minhas reais prioridades?”.
Eu digo prioridades reais, não as
que você diz possuir, mas aquelas que você vivencia de facto.
Se você diz que saúde é uma
prioridade, observe o que de concreto você está a fazer por ela. Seus hábitos
são saudáveis?
Se sua prioridade é ampliar seu
conhecimento em determinada área, quanto do seu tempo você dedica a isso? Com
que frequência, determinação e produtividade?
Em geral as pessoas declaram como
prioridades coisas que não tratam desta maneira e continuam sempre queixosas
sobre a sua baixa qualidade de vida.
Cada um de nós possui limites de
esforço diferentes, energia disponível diferente, capacidade de adaptação
diferente, crenças e valores diferentes. Sua qualidade de vida depende essencialmente
de quem você é de facto. Por isso, pessoas que não se dedicaram a se conhecer
melhor apresentam sempre pior qualidade de vida. Se você não sabe definir bem a
si mesmo, não definirá bem suas prioridades.
Nada nos faz perder mais energia que
a indecisão e o desconhecimento de nossas prioridades.
Já fui burlada duas vez mais sempre fiquei com receio de apresentar queixa à polícia, porque sempre ouço as pessoas dizerem que os polícias não fazem nada, “esses processos levam meses, até anos para serem resolvidos”, dizem algumas pessoas.
Mas dessa vez (a 3ª) uma cidadã
não teve a mesma sorte que os outros dois tiveram, de gastar o meu dinheiro e
ficar por isso mesmo. Ganhei coragem e fui apresentar queixa.
Então não é que uma cidadã armada
em esperta incorreu ao crime de “Abuso de confiança e burla” para com a minha
pessoa e pensou que iria gozar com a minha cara, como provavelmente já tem
feito a outras pessoas. Mas deu-se mal.
Como a cidadã vive no Martires, dissera-me que tinha que apresentar a queixa na 19ª esquadra. Ontem fui para lá, embora trémula e com medo, afinal nunca tinha feito esse tipo de coisa, expliquei a situação ao comandante daquela esquadra. Enquanto falava com o polícia, a cidadã enviou-me uma mensagem a pedir para que eu esperasse que no final do dia de ontem ela resolveria a situação (daria o meu dinheiro), mostrei a mensagem ao polícia, que mandou-me responder, perguntando se ela estava em casa e a “psicopata” respondeu dizendo que “Não estava em casa”. Ainda assim o polícia mobilizou os seus homens e fomos até a casa dela. E lá estava ela, mentirosa de um raio. Voltamos à esquadra com ela e no local confirmou a minha acusação. E logo o comandante mandou detê-la por crime de “Abuso de confiança e burla”.
Mas no sentido de ajudar a cidadã
que segundo o polícia, o processo podia ir parar na Procuradoria-Geral da
República (PGR) pelo crime que cometeu, deu a ela a possibilidade de ligar para
um familiar que pudesse devolver o dinheiro naquele momento, para que ela fosse
liberada e o caso ficasse encerrado… E assim foi…
Em menos de três horas resolvi
uma situação que estava quase a completar 1 ano.
Mas foi bom ter passado por esta
situação, a cidadã como fala muito, explicou ao polícia coisas que nada tinham
a ver com o que a levou lá, mas que para mim foi bom saber, foi a confirmação
de coisas que já desconfiava.
Há muita gente mentirosa neste mundo. Por isso tenhamos cuidado (eu então agora mais do que nunca me mantenho vigilante, três vezes burlada é demais Kkkk), agora até com as pessoas que não faltam à Igreja por nada. Muitos só vão à Igreja para parecerem ser boas pessoas, o amém o glória a Deus não sai da boca, mas no fundo mentem que mentem.
Att: Várias pessoas perguntaram-me se os polícias não pediram-me a famosa “gasosa”. Pessoal, eu também pensava que iriam pedir, mas não. Os polícias não pediram nem gasosa nem saldo. Simplesmente resolveram o problema e disseram para que eu não volte a cair nesses tipos de armadilhas.
Por outra, como eu não parava de tremer perguntei ao responsável dos polícias se um deles não podia me levar para o meu local de trabalho, uma vez que o nervosismo não me permitia conduzir, eu tremia mesmo, foi logo dispensado um deles para dar resposta a minha solicitação.
Há quem diga que eu tive sorte. Mas para mim foi o agir de Deus, aqueles polícias são mesmo boas pessoas.
“Cunhada não e família”. Esse é um ditado que embora seja um
pouco “cruel”, tem lá um cunho de realidade, principalmente nos dias de hoje,
em que as pessoas casam e separam num “pestanejar”, ou seja, muito rápido.
Quem nunca ouviu uma mulher reclamar do mau comportamento da
mulher do irmão ou da irmã do marido?
Embora viver em harmonia com as pessoas de uma forma geral
não seja fácil, acredito que é possível haver uma boa convivência entre cunhadas,
basca que cada uma saiba o seu limite. Isso exige determinação, boa vontade,
paciência e tolerância.
Não importa de que lado ela venha (mulher do teu irmão, irmã
do meu marido), a cunhada é alguém com quem devemos aprender a lidar por
diversas razões.
Primeiro é que ela é a escolha do seu irmão. Isso quer dizer
que ele a ama e isso já é um grande motivo para que você tenha um bom
relacionamento com ela, não precisa ser amiga, mas tem que a respeitar.
Segundo é que você escolheu o seu marido porque o ama, e está
decidida a viver com ele para sempre. Isso quer dizer que esta decisão trará toda
a família dele junto, pois é claro que ele ama a família de origem e será mais
feliz se todos viverem em paz.
Para que você tenha uma boa convivência com a sua cunhada
deve evitar estar sempre em contacto e compartilhar tudo o que acontece em sua
vida, isso ajudará a inibir que a cunhada dê palpites em assuntos que só diz
respeito a si e ao seu marido.
Por outra, é bom evitar muitas idas e vindas de uma na casa
da outra, pois as cunhadas têm o péssimo hábito de achar que tudo que encontram
na casa do irmão foi comprado por ele, mesmo sabendo que a cunhada também
trabalha.
E se ainda assim a sua cunhada lhe tramar, respire fundo e não se envolva nos dramas dela. Entendo o quão difícil é agir dessa forma quando alguém lhe tira do sério, mas é importante, pois é bom evitar responder o que não é digno de uma resposta, até porque dependendo da forma como você responde, poderás perder a razão e ficar mal vista pelo resto da família, sendo exactamente essa a intenção das cunhadas problemáticas.
“Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te ao nível dele e
depois vence-te em experiência”, Mark Twain.
É importante que as mulheres sejam solidárias umas com as outras. Parem de procurar problemas com as cunhadas, pois cunhada toda mulher é, foi ou vai ser. O problema que você arranja hoje com a mulher do seu irmão ou com a irmã do seu marido um dia poderá virar contra você ou até te farão pior.
O amor conjugal entre um homem e uma mulher oscila entre o
desejo de viver na luminosidade e na alegria e ameaça da obscuridade e da
fragilidade.
Sobreviver a tensões e conflitos implica não perder a esperança nem o optimismo sadio, tendo sempre presente que o casamento é uma promessa de felicidade que se pode perder.
A alegria e o bom humor são como bálsamo confortador que
impede que o amor seja desfigurado pela ameaça de sua fragilidade.
O amor não é portanto um simples companheirismo, mas a
decisão pessoal e recíproca de abertura, aceitação, fidelidade, vida, trabalho
e preocupações compartilhadas. Essa fidelidade se aprende vivenciando-a. Não é “amarrar-se”
ao cônjuge, mas habitualmente saber manifestar-se um para o outro, unidos no
respeito, na confiança e na admiração mútua. É a capacidade de saber
reencontrar-se com o outro e ter a sensação de que em seus encontros ambos
amadurecem e mutuamente perdoam-se. Assim estarão continuamente a construir a
originalidade de seu casamento.
Leonarda
Miguel “Ter sido expulsa da casa alheia, em plena madrugada, foi a pior de
todas as situações que vivi enquanto órfão”.
Já imaginou como seria a
sua vida sem os seus pais e irmãos?
Com o choque desta perda
você talvez tenha de lidar com uma série de emoções que nunca sentiu, Leonarda José
Domingos Miguel, Comunicóloga, de 29 anos de idade, perdeu os seus pais quando
ainda era adolescente e conta que “ Perder o meu pai foi doloroso. Mas, o mais sofredor
mesmo foi perder a minha mãe, foi o pior momento que vivi, sendo única filha
senti-me uma “ilha” completamente abandonada, sem era nem beira. Quando recebi
esta notícia eu corri o projecto todo do Luanda-Sul feito maluca, parecia que
eu precisava encontrar o culpado, fiquei tão frustrada que naquele mesmo dia 13
de Abril de 2006, data inesquecível, tomei a pior decisão da minha vida. Prometi
a mim mesma que nunca mais pisaria numa igreja.
Em meio a tantos problemas o sorriso sempre esteve estampado em seu rosto. Quem a vê, não imagina que muitas lagrimas já verteram dos seus olhos. Saiba por que à consideramos um exemplo de superação
Leonarda Miguel “O Estado deveria intervir na vida dos órfãos concedendo o direito à formação, o acesso à saúde, facilitar no processo de ocupação da vaga (…)”.
Cenas
da Vida: Como foi a sua infância?
Leonarda:
Eu tive uma Infância muito saudável, brinquei muito e tive a presença da minha
mãe e com um ano de vida ganhei um Pai, Domingos Inguila João, que é o grande
amor da minha vida até hoje. Tive acesso a todos os brinquedos, não me faltava
nada, tive amigos de infância, brinquei, joguei garrafinha, mete-mete, trinta e
cinco e ficou. Quem foi minha amiga de infância sabe que fui batoteira (risos)
sempre gostei de falar e de advogar os meus. Fui uma criança traquina por demais.
CV:
Com que idade perdeu os seus país?
Leonarda:
Perdi o meu Pai biológico com 13 anos e a minha Mãe com 16 anos.
CV:
Qual foi o primeiro pensamento que lhe veio em mente, quando lhe disseram que
seu pai morreu? O sentimento foi o mesmo quando morreu a sua mãe?
Leonarda: São
sentimentos diferentes, por incrível que pareça.
É
indiscritível o impacto desta notícia, sempre tive um lado de sentir as coisas como
se fosse previsão do que vai acontecer. Eu tinha tido um sonho na época, que
naquela semana alguém veio me dar a notícia que o meu pai havia morrido, eu
acordei e contei o sonho a minha mãe, como tinha 13 anos a minha mãe pediu-me
para não ligar. Ao amanhecer eu a caminho da escola o móvel da minha mãe tocou
e lhe confirmaram o meu sonho. Chorei, apesar de não ser criada por ele, era
meu pai que nunca mais poderei ver, foi doloroso. Mas, o mais sofredor mesmo
foi perder a minha Mãe, foi o pior momento que vivi, sendo única filha senti-me
uma “ilha” completamente abandonada, sem era nem beira, quando recebi esta
notícia eu corri o projecto todo do Luanda-Sul feito maluca, parecia que eu
precisava encontrar o culpado, fiquei tão frustrada que naquele mesmo dia 13 de
Abril de 2006, data inesquecível tomei a pior decisão da minha vida. Prometi a
mim mesma que nunca mais pisaria numa igreja. Afastei-me de Deus por ter
permitido a morte da minha mãe, reprovei o seu amor por mim, não acreditava que
um Ser tão amoroso, bondoso e misericordioso pudesse permitir tamanha
barbaridade na minha vida. Passou-se tantos filmes na minha cabeça que demorou
anos para eu me reconciliar com Deus. É uma memória inesquecível.
CV:
Sabemos que não tem irmãos de pai e mãe.
Leonarda:
Infelizmente fiquei sozinha porque Deus permitiu a morte dos meus irmãos de pai
e mãe. Lembrar disso hoje, faz-me perceber o quanto sou especial aos olhos de
Deus. Os irmãos que tive da parte da minha mãe também morreram, mas do meu pai
biológico tenho 3 irmãos vivos. Mas também, a vida se encarregou de selecionar
para mim tantos irmãos que seria ingrata dizer que sou sozinha, tenho pessoas
que se disponibilizaram a cuidar de mim, sem se importar com o julgamento das
pessoas, Os irmãos Inguila doaram-me todo amor e aceitaram-me como irmã desde
pequena até hoje, é uma a acção que me fez esquecer que sou realmente única
filha e fez de mim uma mulher muito grata e mais humana.
CV:
Como é ser órfão de pais e de irmãos?
Leonarda:
Sabia que tenho poucos momentos que me recordo dessa minha condição “risos”,
cada um de nós tem uma particularidade na sua história de vida. E a minha é
esta ser órfão de pais e de irmãos biológicos. Mas já houve época, que quando
chegava o natal, era o período que mais sofria, passava a quadra festiva na
casa dos outros e com a família dos outros, era uma coisa que me atormentava,
pelo facto de ter perdido muito cedo o meu ceio familiar. Mas isso é quando eu
não tinha o Mendes Miguel, a Yamara e a Ebenézer na minha vida. Hoje é muito diferente.
CV:
Quais foram as maiores dificuldades que enfrentou após morte dos seus pais?
Leonarda: Afastar-se
de Deus depois da morte dos meus pais, foi a maior dificuldade, porque quando
eu saí da presença Dele, a saúde foi junto, a paz de espirito e a tranquilidade
seguiram também. Uma vida sem Deus, sem paz e tranquilidade, foi morrer mas com
os olhos abertos. Cheguei a me sentir mendiga por não ter esses três elementos
importantes da vida.
CV:
Teve apoio dos seus parentes na fase de superação?
Leonarda: Pela
graça eu tive apoio da família Inguila, eles são os responsáveis por todas as
minhas realizações, sou eternamente grata por tudo, é uma dívida que nunca irei
pagar. Só me resta retribuir a bondade com o mundo a minha volta.
CV:
Tem-se dito que filho é bom com a sua mãe. Acredita que muita coisa na sua vida
teria corrido melhor se seus pais estivessem vivos?
Leonarda:
É relativo, a vida é uma incógnita, eu tenho dito que sendo única filha tinha
direito a todas as mordomias que eu quisesse, sempre fui o centro. Talvez com a
minha mãe em vida eu não seria a pessoa que sou hoje, não teria as coisas que
conquistei, porque com ausência dela aprendi que na vida tem que se correr
atrás dos sonhos. Mas com ela em vida eu planificava casar e levar o meu marido
para vivermos com ela pelo facto de ser a única filha dela. Eu não pensava em
me desgrudar dela. Infelizmente nós os seres humanos, aprendemos com a vida de
uma forma dolorosa e eu aprendi e tive as minhas lições. Conheço pessoas que
cresceram com os pais e não conseguiram terminar o ensino médio, nem se quer
sonharam e se sonharam não tiveram apoio para concretiza-los. A vida tem um
curso diferente independentemente de ser órfão ou não. A presença dos meus pais
talvez aliviaria algumas cargas que para mim foi desnecessário carregar.
CV:
Já alguma vez usou o facto de ser órfão para conseguir alguma coisa?
Leonarda:
Nunca, não se tem benefício nenhum. Sempre usei a minha condição para
influenciar as outras pessoas que é possível vencer a dor de perder tudo e
todos que amamos.
CV:
Que lembranças tem dos seus pais?
Leonarda:
Do meu pai biológico tenho lembranças muito vagas, uma que ele me pediu para eu
estudar, amar e respeitar o meu pai de criação Domingos Inguila. Ele reforçou
dizendo” pai não é quem nasce mas sim quem cria”, isso foi muito forte para
mim. Já da minha Mãe eu tenho lembranças muito vivas, a forma como ela
ensinava-me a cuidar das minhas coisas, com 8 anos ela já me ensinava a
cozinhar, a lavar no tanque e na tabua, arrumar a casa, foi minha explicadora
da iniciação até a 8ª classe. Depois da igreja aos domingos, nós íamos à praia,
ela gostava de me levar nas barracas do Panguila para comer mufete, lembro-me
que todos os dias 28 de Maio, nós íamos apagar as velas dela. Lembro-me do
braço de ferro que ela tinha para encarar a vida, enfim, são lembranças muito
marcantes.
Leonarda Miguel com os seus pais
CV:
Que valores lhe foram passados pelos seus pais, que aplica no seu dia-a-dia?
Leonarda:
O respeito pelos outros, a honestidade, a humildade, o amor ao próximo, o
processo de partilha, a solidariedade, a sinceridade e especialmente o espírito
de empatia, são estes valores que fazem parte do meu dia-a-dia.
CV:
Conta-nos alguma situação constrangedora que passou por ser órfão, que acredita
que nenhum ser humano com pais em vida passaria?
Leonarda:
Talvez ter sido expulsa da casa alheia em plena a madrugada, é uma coisa que
nunca aconteceria caso a minha mãe estivesse em vida, para mim foi a pior de
todas as situações.
CV:
Existem muitos órfãos a serem maltratados por seus parentes, por saberem que
não têm quem os possa defender. Qual o seu parecer sobre essa horrível
situação?
Leonarda:
Eu fico revoltada quando me deparo com essa situação, as pessoas sentem-se no
direito de maltratar os órfãos pelo facto de estarem sobre a sua tutela, acham
que os órfãos devem ser escravos em tudo, é mais fácil mostrar-se indisponível
para a criação, do que recebe-los e depois maltrata-los. É pecado.
CV:
No seu ponto de vista, quais as principais preocupações dos órfãos de pai e
mãe, que devem ser resolvidas pelo Estado?
Leonarda:
O Estado deveria intervir na vida dos órfãos concedendo o direito à formação, o
acesso à saúde, facilitar no processo de ocupação da vaga do pai no Ministério
em que trabalhava. Enfim, acho que são sectores que mais temos dificuldades,
porque depois tudo envolve dinheiro.
Leonarda Miguel
CV:
É hoje uma mulher casada, com duais lindas filhas e está a espera do terceiro.
É um exemplo de superação.
Leonarda:
Hoje eu tenho uma história diferente, nem se compara, nunca imaginei que Deus
me concederia tamanha graça, tudo mudou em minha vida quando primeiro conheci a
Yamara, foi o refrigério que a minha alma precisava, a chegada dela foi o meu
ponto de partida. O nascimento da Ebenézer apagou toda dor, e me fez esquecer
daqueles que um dia decidiram humilhar-me, o meu Esposo Mendes Miguel é a
pessoa que ensinou-me a ser mais forte e a ser mais guerreira, graças a ele
hoje ganhei mais intimidade com Deus. Sinto-me abençoada pela chegada do
Israel, é o momento mais alto e importante que vivemos todos nós. Muitos que
acompanharam a minha trajectória de vida, qualificam-me como um exemplo a
seguir, mas eu gosto de rir da minha própria vida, recebo abraços e beijos,
enviam-me mensagem de felicitações como se todos esperavam expectante por essa
superação de vida, sinto-me regozijada por essa energia boa que recebo de todos
que acompanham essa caminhada.
CV:
Existem muitas pessoas que depois de perderem os pais sentem que o mundo
acabou, e procuram consolo nas drogas. Que mensagem deixa para essas pessoas e
para todos os órfãos no geral?
Leonarda:
Nos últimos anos dedico-me a incentivar órfãos e não só a superar as
dificuldades da vida, a experiência que adquire da minha história me permite
garantir aos demais que é possível vencer. Noites de festas, drogas, grupos de
amigos, sair e não querer regressar, são subterfúgios para congelar a dor
somente por algumas horas, o melhor mesmo é encarar a dor e aceitar. O primeiro
passo é posicionar os objectivos diante dos desafios que se avizinham, não é
fácil, mas é necessário muita coragem e força de vontade para vencer. Aconselho
a todos a não desistirem da vida sem antes persistirem e se já insistiram de todas
as formas e nada aconteceu, continuem, nenhuma porta permanece eternamente
fechada, chegará um dia que a fechadura estará fragilizada de tanto tentares,
que fará com que a porta se abre por si.
CV:
Por agora qual é o seu maior sonho?
Leonarda: Lançar
a minha monografia como meu primeiro livro de “Assessoria voltada as ONGs” e
finalizar a concretização do meu programa no Yutube.
E porque se aproxima o
dia da celebração do albinismo, procuramos o politólogo, músico e professor, Manuel
Fiel, para falar-nos de como superou o preconceito que terá vivido por ser
albino.
Antes porém, seria
imprescindível começar a entrevista, sem antes fazer um respaldo sobre o
assunto.
Segundo a Organização das
Nações Unidas, cerca de 18 mil pessoas têm albinismo no mundo. O dia Mundial de
Conscientização do Albino é celebrado anualmente a 13 de Junho.
Celebrado pela primeira
vez em 2015, o dia foi proclamado pela ONU, para divulgar informação sobre o
albinismo e para evitar a discriminação aos albinos, combatendo ao mesmo tempo
a sua perseguição.
O albinismo pode afetar
pessoas de todas as raças. Contudo, na África o albinismo é mais frequente e
problemático. Dados da ONU mencionam que centenas de pessoas com albinismo, na
sua maioria crianças, foram atacadas, mutiladas ou mortas em pelo menos 25
países africanos.
Manuel Fiel, jovem angolano,
nascido na província do Cuanza Norte, aos 21 de novembro de 1981, é formado em
Ciências Políticas, casado e tem dois filhos.
“Muitas
vezes chorei, sofri muito. Por onde passava chamavam-me Mundele e Kilombo”.
Cenas
da Vida: Como foi a sua infância?
Fiel: Foi
uma infância boa. Claro, acompanhada de bons e maus momentos. Brinquei e
diverti-me muito na infância. Tenho saudades.
CV:
O facto de ter o tom de pele diferente dos seus pais e irmãos fez com que
tivesse dificuldades para se relacionar com a sua família e vizinhos?
Fiel: Não.
Tive a bênção de nascer e crescer no seio de uma família abençoada e os meus vizinhos
desde sempre trataram-me com muito amor e carinho.
CV:
Dos locais em que frequentava quando criança onde sentia que havia mais
preconceito?
Fiel: A
discriminação começa no berço e depois termina no seio da sociedade, no caso da
vizinhança e das pessoas na rua por aí a fora.
Quanto
a mim, senti-me mais discriminado na Escola, quando frequentava o ensino
primário.
CV:
Sei que nasceu no meio de uma família cristã. Chegou a usar a Igreja como
refugiu para os seus medos em função do preconceito ou também foi discriminado
lá?
Fiel: Não.
Nunca usei a Igreja como refúgio. Eu nasci, cresci e até ao momento continuo na
Igreja graças a Deus.
Portanto,
nunca fui discriminado no meio dos meus irmãos na fé. Por esta razão considero
que a Igreja e a palavra de Deus ajudaram-me a ter esta autoestima de formas a
vencer o preconceito.
CV:
Vivemos num país cercado de preconceitos. Lembro-me que por volta dos anos 90,
quando estivesse a passar um albino as pessoas colocavam cuspe no umbigo e
outras cuspiam no chão, alegando que era para afastar a má sorte que “supostamente”
os albinos traziam. Como foi que viveu essa situação?
Fiel: Foi
um período muito triste. Não é bom ser discriminado, seja lá quais forem as
razões.
Muitas
vezes chorei, sofri muito. Mas hoje acho que este cenário está a mudar na
medida em que a sociedade vai se moldando ao conhecimento.
CV:
Chegou a lutar com algum gémeo? Sendo que naquela altura (1990) diziam que
albino e gémeos não podiam se encontrar, saiam logo em briga.
Fiel: Risosss.
Felizmente nunca.
CV:
Quando foi que começou a superar as barreiras de aceitação?
Fiel: Após
a minha conversão na palavra de Deus. Mas no entanto, a superação tem sido um
processo até aos dias de hoje.
CV:
Deve saber que em alguns países os albinos são mutilados. Qual o teu parecer
sobre essa horrível situação?
Fiel: Uma
pessoa detentora de albinismo possui capacidades intelectuais, sensoriais e
técnicas como qualquer outra não albina, mas cabe a sociedade, as Igrejas,
encararem este desafio e desenvolverem acções enérgicas de combate à sua
discriminação.
Portanto,
é lamentável assistir países com este tipo de comportamento.
CV:
No seu ponto de vista, quais as principais preocupações dos albinos que devem
ser resolvidas pelo Estado?
Fiel:
São várias as preocupações, mas uma delas seria por exemplo, que os albinos em
Angola beneficiassem de consultas grátis junto das unidades hospitalares
públicas, para impedir que continuem a contrair doenças da pele.
A falta
de acessibilidade nalgumas instituições do Estado, os albinos não conseguem
emprego e as vezes, não são atendidos nos hospitais por causa da sua condição.
CV:
Já sentiu que perdeu uma oportunidade de emprego por ser albino?
Fiel: Graças
a Deus nunca.
CV:
Quanto a vida amorosa, acha que alguma vez recebeu um “não” como resposta, em
função do tom da sua pele ou sempre conseguiu namorar por quem se apaixonasse?
Fiel: É
possível que tenha acontecido. Mas de forma explícita nunca vivi este drama.
CV: Conta-nos alguma situação constrangedora que passou por ser albino.
Fiel:
Lembro-me como se fosse hoje, a ser corrido por uma senhora de aproximadamente
63 anos de idade pelo facto de ser gémea.
CV:
Ainda se sente discriminado hoje em dia?
Fiel:
Essa discriminação ainda existe embora que tenha um número já reduzido em
relação ao passado por causa da campanha que tem se feito ao nível da
comunicação social e não só. O olhar de desdenhar a pessoa albina graças a Deus
tem reduzido.
Mas
tenho uma vida normal, não obstante as limitações. Tenho sentido uma certa
discriminação, claro, mas agora numa proporção menor, comparado aos tempos
idos.
CV:
É hoje um homem casado, com dois lindos filhos. É um exemplo de superação.
Fiel: Sim,
graças a Deus hoje eu sou um homem formado, casado e com uma família abençoada.
Sou professor, produtor e agente musical, palestrante, tudo isso por vencer
muito cedo o preconceito e cultivar a autoestima em mim.
Sim,
sou hoje um exemplo de superação.
CV:
Que mensagem deixa para os albinos, principalmente para os mais novos?
Fiel: As
pessoas não escolhem ser albinas ou nascer com uma ou outra deficiência que
seja. Devem viver a vida como pessoas normais, vencer o preconceito e enfrentar
os desafios que a vida nos reservas. Aconselho que apostem na sua formação e
acima de tudo não permitam que quem quer que seja mate a sua autoestima. Devem
sair às ruas com a cabeça erguida.
CV:
O que gostava de ver mudado na humanidade?
Fiel: A
desigualdade
CV:
Sendo formado em Ciências Políticas. Acredita na famosa frase “luta contra a
corrupção e nepotismo “ do novo governo angolano?
Fiel: Não
acredito. Pois não noto seriedade e interesse por parte do governo em combater
estes fenómenos.
CV:
No seu ponto de vista o que o Estado angolano deve fazer se quer realmente
combater esses males?
Fiel: O
combate à corrupção é vencível com acções práticas dos órgãos de soberania e
contributo da família e da escola.
É
necessário que tenhamos verdadeiramente uma gestão aceitável do erário público
e que se baseie na transparência e prestação de contas.
Para onde vão os seus pensamentos? Em que tipo de coisas você está conscientemente focado? Realmente Deus está a frente de tudo? A resposta a estas perguntas irão determinar para onde vai a sua vida. Essas são as coisas que formarão a realidade da sua vida.
Cada realização, primeiramente existe em sua mente. Portanto, encha a sua mente com o melhor que você pode imaginar tão frequentemente quanto possa. Coloque Deus como Soberano, em todos os momentos. Momentos difíceis peça Sabedoria para te guiar no melhor caminho, momentos felizes Agradeça a Ele. As possibilidades às quais você devota o seu foco e energia são as que na realidade você irá experimentar.
Agora, neste exacto momento, os seus pensamentos estão a estabelecer a direcção do seu futuro. Tome a decisão de optar por pensamentos que venham a levá-lo para a vida que você mais almeja. Sempre direccionado à Deus. A Ele toda Honra e toda Glória.
Como andam seus relacionamentos interpessoais? Complicados,
conflituosos, difíceis? Que soluções você tem vislumbrado? Separar, sair de
perto, mudar de emprego, mudar de família, de igreja?
Conviver bem é uma arte fácil de ensinar, mas é “difícil” aprender. As pessoas procuram sempre problemas em tudo que é canto. Vivem a procura de defeitos nos outros.
Acontece que as pessoas não são descartáveis. O problema pode não estar nos outros. E sim, dentro de você. Aonde você for, levará os seus problemas e criará novos conflitos. Se vivermos em amor uns com os outros, se vivermos como filhos da luz, se tratarmos aos outros como gostaríamos de ser tratados, se a Palavra e o Espírito estiverem implantados em nós, os nossos relacionamentos interpessoais serão os melhores.
Cuide bem de seus relacionamentos, seja bom amigo, irmão verdadeiro, bondoso, paciente, compreensivo, tolerante com os outros e exigente com você mesmo.
Onde há amor, bondade,
compreensão e espírito de perdão, tudo corre bem.